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Família de Arthur Battisti
Brasil
Desde 1875
Há famílias que são como árvores antigas: firmadas em raízes que atravessam o tempo, sustentadas por troncos de valores e florescidas em gerações que nunca se esquecem do seu chão. A família Battisti é uma dessas árvores. No coração desse tronco estão Arthur e Ignez Tedeschi, cujas vidas foram sementes de fé, simplicidade e trabalho. Arthur, comedido, honesto, o agricultor exemplar que, com suas mãos calejadas, cultivava mais do que terra: cultivava futuro. A cada colheita, ensinava que o estudo era herança maior que a posse, e que o caráter é o bem mais nobre que um pai pode entregar.
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Ignez Tedeschi, de olhos azuis como céu de primavera, foi professora sem diploma, mestra de valores e ternura. Com sorriso sincero, mesmo na dor, ensinou a transformar cada dificuldade em lição de superação. Seu sonho de lecionar nos bancos escolares se tornou realidade em cada gesto, em cada conselho, em cada mesa farta que unia a família. Juntos, caminharam lado a lado na fé e na comunidade: ajudaram a erguer igrejas, escolas, hospitais - não apenas prédios, mas marcos de esperança. Foram exemplo de como a grandeza se faz no silêncio dos gestos cotidianos.

E assim, cada nome inscrito no mausoléu da família Battisti não é apenas pedra fria: é chama acesa. É a lembrança viva de que não existe adeus definitivo para aqueles que aprenderam a viver na eternidade da memória. Mas se a árvore da família Battisti tem raízes profundas no solo do Rio Grande do Sul, suas sementes foram sopradas de longe, das terras italianas. Da paróquia de Bezzenelo, em Trento, e de Vernole, em Lecce, vieram os primeiros passos dessa história. A Itália não é apenas lembrança: é identidade. Está na língua que ecoa em encontros, nas músicas que embalam reuniões familiares, no tempero que dá sabor aos almoços de domingo.
E deles vieram sete filhos, cada um trazendo uma cor única à tapeçaria da vida. Alguns, no entanto, partiram cedo demais - mas o amor que deixaram permanece bordado no tecido da família. Ledi Maria, mãos de ternura, cuidadosa, habilidosa. Sua partida precoce deixou lacunas, mas também memórias que ainda exalam perfume de dedicação e aconchego. Sérgio Luiz, estudioso, amigo, sonhador. O destino não permitiu que se tornasse professor de Educação Física, mas, em cada lembrança, ele ainda ensina: amor, bondade e oração. Paulo Domingos, generoso e dedicado, que construiu sua família em Porto Alegre. Vive nos sorrisos de suas filhas, Paula e Renata, e no legado de quem soube ser bom filho, bom pai, bom irmão.

É da Itália que vem o orgulho que une os ramos dessa árvore. É de lá que surge a chama que faz com que a família se reencontre, geração após geração, em grandes encontros nacionais, celebrando com alegria não só os que estão presentes, mas também aqueles que permanecem vivos na memória. Ser Battisti é carregar no sobrenome a marca da resistência, da coragem e da beleza de um povo que atravessou o oceano sem perder sua essência.

Hoje, quem olha para trás enxerga não apenas ausências, mas presenças multiplicadas em exemplos, em valores e em fé. Quem olha para frente vê uma história que continua: nas caminhadas comunitárias, no amor pela vida simples, no cuidado com a saúde, nos projetos de intercâmbio que cruzam oceanos e unem culturas, na coragem de transformar herança em movimento. O Relicário da família Battisti é feito de saudade, sim - mas de uma saudade que não paralisa.
É feito de perdão, de gratidão e de um amor que permanece. E, diante dessa memória, só cabe uma prece: que cada passo dado hoje seja também homenagem a eles, que ensinaram que viver é, acima de tudo, partilhar.
Memórias


Quando penso em vocês, o coração se enche de ternura.
Cada lembrança traz o calor do abraço, o cheiro da comida feita com amor,
o som das palavras que enchem o lar e o sentimento de estar em casa, por causa de vocês.
Com vocês aprendi o que é amor verdadeiro - aquele que se expressa em gestos simples, num olhar que acolhe, numa palavra dita com calma, num cuidado silencioso que só o coração entende.
Eles ensinaram, sem precisar dizer muito, que gentileza é força e que carinho é herança. E essa herança vive em nós: nos gestos, nas lembranças e no jeito de amar.
Hoje, cada memória é um abraço guardado, um lembrete de que o amor de vocês construiu lares, gerações e histórias.
Sou imensamente grata por ter vivido o amor de vocês perto, e por poder chamá-los de meus amados avós.
Com todo o meu amor e muita saudade,
Karine Battisti
























